O Mercado Livre (MELI) divulgou nesta terça-feira (24) os resultados financeiros do quarto trimestre de 2025, apresentando um cenário de contrastes que chamou a atenção dos investidores.
Enquanto a receita líquida superou as expectativas, atingindo US$ 8,8 bilhões (uma alta de 45%), o lucro líquido registrou uma queda de 12,5%, fechando em US$ 559 milhões — valor abaixo do projetado por analistas de mercado.
A queda no lucro, no entanto, não é vista pela empresa como um sinal de fraqueza, mas sim como o custo deliberado de uma expansão agressiva focada no longo prazo.
O paradoxo dos números: Receita recorde vs. Margens pressionadas
O crescimento das vendas no Brasil e no México, principais mercados da companhia, impulsionou o GMV (Volume Geral de Mercadorias), que subiu 35% em moeda constante. Contudo, a margem operacional (EBIT) sofreu uma compressão, caindo de 13,5% para 10,1%.
Segundo Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de relações com investidores, a empresa optou por sacrificar a rentabilidade imediata para acelerar investimentos em três pilares fundamentais:
Expansão Logística: Aumento da oferta de frete grátis e infraestrutura de entrega.
Mercado Pago e Crédito: A emissão massiva de cartões de crédito, que, embora lucrativa no futuro, exige provisões imediatas contra inadimplência.
Modelo 1P: O foco em vendas diretas ao consumidor, onde o Mercado Livre atua como o próprio lojista.
Aposta no crédito e o cenário de inadimplência
A carteira de crédito do grupo deu um salto impressionante de 90% em um ano, chegando a US$ 12,5 bilhões. Esse movimento transforma o Mercado Pago em um player financeiro cada vez mais robusto. Entretanto, o mercado observa com cautela a taxa de inadimplência (de 15 a 90 dias), que subiu levemente para 7,6%.
Para o empreendedor local de Piracicaba que utiliza a plataforma, esses dados indicam que o acesso ao crédito deve continuar disponível, mas sob critérios de análise mais rigorosos à medida que o banco digital do grupo amadurece.
Geopolítica e o Mercado Internacional
Um ponto de curiosidade nos resultados foi a menção à Venezuela. Após anos de desconsolidação dos resultados devido à instabilidade econômica, as recentes mudanças políticas no país — incluindo a nomeação de um governo interino apoiado pelos
EUA em janeiro de 2026 — colocam a região novamente no radar de potencial relevância, embora ainda não impacte as operações gerais.
O que isso significa para o comércio em Piracicaba?
Para os lojistas piracicabanos que vendem no marketplace ou utilizam as maquininhas do Mercado Pago, a mensagem da empresa é de otimismo cauteloso. A frase de Cuccioli resume a visão da gigante: "Estamos apenas nos 15 minutos do primeiro tempo do desenvolvimento deste mercado".
A prioridade na logística e na fidelização via crédito sugere que o custo de vender na plataforma pode continuar subindo, mas a contrapartida é uma rede de entregas cada vez mais rápida e uma base de compradores com maior poder de compra garantido pelos cartões da marca.