A situação financeira dos Correios atingiu um ponto crítico no início de 2026. Com um rombo orçamentário que pode chegar a R$ 23 bilhões caso as perdas não sejam estancadas, a estatal anunciou uma medida drástica: a venda de ativos imobiliários em todo o país. O objetivo é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até o final do ano para tentar recuperar o fôlego financeiro e evitar um colapso operacional.
O plano de reestruturação e os leilões de imóveis
A estratégia faz parte de um plano de reorganização que busca reduzir custos fixos e gerar liquidez imediata. Estão sendo ofertados desde prédios administrativos e galpões até apartamentos funcionais e terrenos em 12 estados, incluindo São Paulo. Os leilões, que serão totalmente digitais, começam em fevereiro com lances mínimos variando de R$ 19 mil a R$ 11 milhões.
Apesar da meta ambiciosa, o histórico recente gera cautela no mercado. Nos últimos seis anos, a soma de todas as vendas de imóveis da empresa não atingiu sequer R$ 100 milhões, o que representa apenas uma pequena fração do que a estatal espera arrecadar em um único ano.
Por que os Correios perderam mercado?
Para o leitor do PiraReceitasNews, é importante entender que a crise não é apenas fruto de gastos internos, mas de uma perda acentuada de competitividade. Há pouco mais de cinco anos, os Correios detinham metade do mercado de encomendas no Brasil. Ao final de 2025, essa fatia caiu para apenas 20%.
A ascensão de transportadoras privadas e a agilidade logística de grandes marketplaces mudaram o comportamento do consumidor. Enquanto o setor privado investiu em tecnologia e entregas ultrarrápidas, a estatal enfrentou dificuldades para modernizar processos, resultando em um déficit operacional que saltou de R$ 700 milhões em 2022 para uma previsão alarmante em 2026.
O custo da hesitação na gestão pública
Especialistas apontam que a demora em tomar decisões estratégicas foi o fator determinante para o cenário atual. O economista Armando Castellar, pesquisador do FGV Ibre, destaca que a hesitação em modernizar ou privatizar a empresa permitiu que o prejuízo crescesse a ponto de inviabilizar a competição.
Além da venda de imóveis, o plano de recuperação inclui o fechamento de aproximadamente mil agências e um programa de demissão voluntária que visa reduzir o quadro de funcionários em 15 mil pessoas. A meta é economizar R$ 2 bilhões anuais a partir de 2027.
O que esperar para os próximos meses?
Para quem depende dos serviços postais, a empresa garante que a venda de ativos ociosos não afetará a prestação de serviços. No entanto, a redução do quadro de pessoal e o fechamento de unidades físicas podem alterar a dinâmica de atendimento em diversas regiões.
O governo federal, através do Tesouro Nacional, ofereceu garantias para que os Correios pudessem contratar empréstimos bilionários junto a bancos para manter as operações básicas. A sobrevivência da estatal agora depende do sucesso desses leilões e da capacidade de a empresa se tornar novamente ágil em um setor que não perdoa a lentidão.